Entrevistas CBN, Jovem Pan e Radar Paulista

ENTREVISTA CBN & JOVEM PAN

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Ou leia o resumo das entrevistas do dia 24/junho/2017

Entrevistado:  Rodrigo Goecks
rodrigogoecks@adigodesenvolvimento.com.br.

Como as StartUps podem ser aliadas das antigas empresas? Hoje, a empresas mais antigas enxergam as Start Ups como inimigas, certo?

Há um estudo do MIT que diz que 9 entre 10 empresas se sentem ameaçadas e há alguns casos de brigas como os Taxis e o Uber, mas não diria que o sentimento comum é de vê-las como inimigas. Há um impulso hoje na maioria das empresas em saber como as Startups funcionam e como absorver aspectos da cultura e gestão para que se alavanque a inovação. É a capacidade inovadora que as empresas mais admiram nas startups.

Algumas empresas estão se aproximando através da criação de coworkings (como o CUBO, do Itau) ou ficando sócios de startups (o presidente da Ikea outro dia disse que as startups que é sócio devem fazer a Ikea quebrar, evitando assim que um concorrente faça isso).

Além disso, há empresas que se desafiam ao trazer alguns aspectos da cultura de startups para dentro delas, como a Porto Seguro que, além de criar a Oxigênio (uma aceleradora), tem estratégia e ações de sucesso que trazem a inovação para dentro da Porto, em todos os níveis.

Como implementar uma cultura da inovação em empresas?  Como seria esse processo?

Trazendo uma visão integrada das organizações, entendemos que a mudança só se torna eficaz quando se é capaz de atuar em quatro níveis: na Identidade, nas Relações, nos Processos e nos Recursos.

Tudo começa com a mudança de mindset, mudando a forma de pensar.

Só há transformação quando há impacto na cultura e no comportamento organizacional, no dia-a-dia das pessoas.

A espinha dorsal deste novo mindset Startup está na coesão por um propósito único, na colocação do cliente no centro da decisão, na flexibilidade e na rapidez para agir, gerando um processo criativo e de tomada de decisão de fora para dentro.

A indústria está sempre pensando em agregar valor. Ampliando em cima de algo que já existe. O que a Startup faz é colocar a sandália do cliente para gerar algo novo e, depois, ser flexível e ágil para tornar a ideia em realidade.

Para que isso ocorra trabalha-se previamente o nível da Identidade, constrói-se uma visão comum na liderança, um propósito único capaz de refletir em compromissos de mudança pessoal e, consequentemente, novos comportamentos. Algumas perguntas precisam, portanto, ser respondidas antes de qualquer  iniciativa prática, como exemplo: O que   é inovação para nós? Quais aspectos da cultura de Startup queremos integrar? Quais são nossas prioridades? O que nos incomoda e preocupa?  Estamos preparados?

Na nossa realidade atual e mundial, onde apenas 10% dos membros de conselhos de administração possuem experiência profissional digital,  uma reflexão prévia sobre estes pontos é fundamental para entender o quanto a organização está preparada e qual o caminho deve ser percorrido.

Então as ações contínuas de desenvolvimento serão as catalizadoras do novo DNA de Inovação para os colaboradores, atuando no nível das Relações. Que novas competências precisam ser agregadas nas lideranças e nas suas equipes? Quais novas conexões entre áreas, fornecedores e clientes podem se estabelecer? Uma nova forma de liderar ganha força, capaz de semear um novo ambiente organizacional para que a inovação germine.

O próximo passo será, então, pensar: que ferramentas e mudanças precisamos integrar aos processos? Que recursos precisaremos para  que isso ocorra?

Para facilitar criamos o Círculo Virtuoso da Inovação®, que integra a mudança em ações nos quatro níveis  organizacionais.

Para implementar uma cultura de inovação nas empresas é preciso, necessariamente, trocar os  funcionários?

Claro que não. Com um processo de transformação adequado é totalmente viável sensibilizar e desenvolver as pessoas para que se tenha sucesso. É lógico que novas competências são necessárias diante deste desafio e, em alguns casos, torna-se necessário buscar algumas pessoas de fora para compor a equipe.

Os profissionais das empresas atuais foram formados em competências diferentes das que estão em uso nas startups. Como falei, para que este desenvolvimento faça sentido eles primeiro têm que passar por um processo de mudança de mindset, se não tratarão de utilizar as novas ferramentas com a cabeça que foi treinada para o uso de outras, seria como usar um martelo para colocar um parafuso no  lugar.

O que é preciso ter em mente para fazer uma empresa sobreviver num mundo tão veloz como o de hoje, em que novidades tecnológicas vão surgindo praticamente todo  dia?

A empresa precisa ser veloz também. Para isso, as pessoas e os processos precisam ser velozes. Para isso, todos precisam estar alinhados e engajados em um proposito comum, para que se tenha um ambiente livre, autônomo e que saiba navegar na incerteza para, assim, capaz  de gerar inovação. Entende como é uma reação em cadeia?

Exercitar o “não sei” é muito difícil para as empresas, que têm praticado tudo o que as levem para o campo das certezas. As mudanças rápidas  e frequentes nos levam para o campo das incertezas. Este é outro fator de sucesso das startups, elas estão preparadas para enfrentar as incertezas pois elas são um organismo que luta pela sobrevivência na era da incerteza. Elas quando começam não sabem bem como vão fazer, mas tem um propósito comum e a capacidade de exercitar o “não sei”. Algumas delas chegam ao sucesso com um modelo de negócios até diferente que o inicial.

Inovação significa, acima de tudo, mudanças em processos e hierarquias mais flexíveis. Porque é tão difícil para as empresas implementarem essas  mudanças?

Inovação significa gerar valor novo. É claro que processos e hierarquias mais flexíveis são catalizadores para que isso ocorra.

A questão é que mudar é difícil para o ser humano, logo, é difícil para as empresas, que são um grupo de seres humanos  reunidos.

Nosso cérebro é programado para o menor risco e esforço, ele busca a sobrevivência da espécie, logo repetir se torna mais fácil. Se deu certo por este caminho, vamos continuar nele. Além disso,  nossos professores, nossos pais, nossos chefes são lineares, todo processo de educação foi cartesianamente construído e isso nos limita sair  da caixa.

Como um grupo de seres humanos, as empresas buscam a certeza e evitam o “não sei”, um modelo mental para o qual elas não estão preparadas.

  1. Quais setores o senhor avalia como mais avançados e mais atrasados na compreensão da necessidade de se  inovar?

O ser humano é pensar, sentir e querer. O fato do ser humano ter focado tanto tempo apenas no “pensar” (“Penso, logo existo”), fez com que perdêssemos muito da nossa intuição, o nosso sentir. Se você muda um macaco da Amazônia para o Cerrado, ele rapidamente percebe que o ambiente mudou e por isto ele tem que mudar a sua estratégia de sobrevivência.

Mais do que nunca, buscar o crescimento das empresas sem buscar o desenvolvimento das pessoas que as compõe se torna um limitador.

Como aquele ditado: “cresci, cresci e estou batendo a cabeça no teto”. Como fazer o teto se elevar? Com o desenvolvimento das pessoas. Para que possam evoluir usando o pensar, o sentir e o querer. Treinamento trabalha o pensar, é repetitivo, linear, funcional. Desenvolvimento  trabalha o pensar e o sentir, desenvolve capacidades sutis, com isso o querer se fortalece a mudança acontece.

Fiz essa introdução porque a compreensão está muito mais na capacidade dos líderes das empresas perceberem esses movimentos, do que em setores específicos. É claro que tudo aquilo que é mais facilmente digitalizado e que se beneficia.

De uma forma geral, entendo que o varejo está atrasado e os setores ligados a produção de bens, principalmente os mais tradicionais (carros, por exemplo), estão muito desafiados. Algumas montadoras como a Renault e a GM, seus CEOs declararam recentemente que creem que o seu futuro não será a venda de carros. Eles seguramente serão compartilhados, com a lógica da utilização passando da posse para o uso. Os bens também vão mudar na sua concepção, a Tesla, fundada

100 anos depois da Ford tem alcançou recentemente um valor de mercado superior pois fabrica carros totalmente eléctricos, o que a Ford não viu que era o futuro!!! Não se trata, portanto, em não compreender a necessidade de mudar, mas de não compreender como  mudar.

Quantas coisas que hoje em dia pensamos como impossíveis de serem automatizadas, mas que o serão? Não sei!!!

A crise no mundo do trabalho tradicional vai ter como consequência que mais jovens vão estar pensando no que transformar para gerar sua fonte de receita por meio de seus empreendimentos  nascentes.

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