Paulo Henrique Ferro
Coach Executivo e Consultor Sênior

“O pensamento estratégico é aquele que permite a compreensão das complexas relações entre o negócio e o seu entorno”

A questão estratégica vem tomando uma forma cada vez mais diversa do que no passado. Quando observamos o ambiente de negócios nas últimas décadas, os grandes vetores estratégicos, antes balizas direcionadoras, tornaram-se extremamente voláteis.
Já não basta mais um grupo competente e experiente mergulhado em uma grande massa de dados, tampouco a aplicação de metodologias que comumente se apoiam em projeções que fixam um “futuro provável”, o que sabemos hoje ser extremamente impreciso. Estes são alguns dos motivos pelos quais os tradicionais Planejamentos Estratégicos vêm perdendo sua eficácia em direcionar as organizações.
Mais do que nunca, o “pensar estrategicamente” passou a ser um caminho eficaz. Habilitar a organização a pensar estrategicamente, incorporar o estratégico no modelo mental das lideranças, sair das fronteiras conhecidas, requerem um movimento no comportamento do indivíduo. Mais do que pensar o “futuro provável”, vislumbrar “futuros ou mudanças possíveis”. Ao percorrer este caminho aprendemos mais sobre este futuro do que trabalhando formulações que tentam “acertar” como ele será. Outra dimensão importante na questão estratégica, atualmente, é o “pensar contingencial ou emergente”, que acolhe em grande medida a volatilidade do ambiente de negócios.
O desafio então é: como as organizações devem orientar o desenvolvimento de suas Lideranças para que sejam protagonistas efetivos na construção e implementação estratégica do negócio?
Algumas dimensões são de alto impacto nas questões estratégicas e devem ser trabalhadas à exaustão: o conhecimento do Ser Humano, a Visão Global de Mundo e do Negócio e ter em conta que vivemos conectados e em constante interação.
Hoje já se pode traçar vários paralelos da questão estratégica com a arte, uma vez que esta sempre incorporou a inspiração a imaginação e a intuição, bem como a noção do “todo” na sua essência, sendo sempre inclusiva com as características do Ser Humano.

“Todos os homens estão interligados numa teia sem escape de mutualidade, entrelaçados no tecido singular do destino. O que quer que afete alguém diretamente, afeta a todos indiretamente”.
Martin Luther King

A mudança de paradigma é de tal magnitude e envolve mudanças tão profundas nos modelos mentais, que uma preparação específica dirigida aos Líderes é altamente recomendável para navegarem com confiança nestes mares desconhecidos.
Evidências têm mostrado que um caminho eficiente para encararmos este desafio é o processo de Coaching. Coaching como um processo que desperta no Líder o pensar estratégico a partir de suas habilidades e bagagem profissional, revelando e mobilizando-o a usar estes potenciais e estimulando-o a levá-los à sua plenitude.
Incertezas: Como lidar?
Hoje o Ser Humano está envolto e tomado por movimentos erráticos em muitas áreas e em todo o seu entorno. Na natureza, nos comportamentos, na saúde, enfim o gênero humano passa por um momento de muita incerteza. O amanhã é quase sempre uma fonte de preocupação e dúvida. Se pensarmos que o incerto é um “primo irmão” do desconhecido, concluímos que nossos órgãos de percepção, que até então eram utilizados para interpretar o mundo, já não são mais tão eficientes. Mais do que isto, esta imprecisão na leitura e os resultados quase sempre desmotivadores que provocam, trazem o medo, desabilitam nas pessoas a capacidade de ousar e de abrir-se para o novo e a tomar riscos, buscando o porto seguro em paradigmas vigentes ou anteriores, nem sempre aplicáveis a um contexto emergente.
Lidar com o incerto requer uma base sólida de autoconhecimento. Assim, é preciso tomar contato com as habilidades e fraquezas que temos e fazer uso desta consciência para trazer serenidade, discernimento e autodesenvolvimento. Mais do que as informações em quantidade, há que se voltar para a qualidade e aprender a ler o que elas estão querendo dizer, encontrar padrões ocultos nestas informações. Tirar proveito do trabalho em grupos não homogêneos abre horizontes e enriquece este processo. O Coach apoia este processo de maneira ativa, provocando a escuta e a observação cuidadosa dos fatos e ao mesmo tempo é uma fonte de inspiração para o Coachee “desafiar” paradigmas tidos como intocáveis. O Coach em seu papel, pode conduzir o processo no sentido de que a pessoa se apodere destas suas capacidades e as coloque a serviço dos desafios que o contexto de incerteza apresenta.
Cenários: Como construí-los?

“É irrelevante o quão precisas e extensivas são nossas pesquisas sobre o futuro, nunca escaparemos do dilema de que nosso conhecimento é sobre o passado e todas as nossas decisões são sobre o futuro”.

Temos medo de falar sobre cenários prospectivos… eles estão no futuro. Temos medo do incerto, por esta razão sempre ocorre a tentação de “enjaulá-lo”. Como? Fazendo projeções. Ao trabalhar cenários plausíveis, a proposta é libertar nossas mentes do passado e mergulhar no futuro e enxergar o surpreendente, o inesperado e o desconhecido.
Existem várias vertentes e metodologias de construção de cenários, todas com suas virtudes e defeitos, mas todas provocam algo positivo. Ao construir um cenário, aprendemos muito sobre o futuro. Pode parecer incompreensível, mas é isto… ao se conversar sobre um futuro possível, nós trabalhamos com as variáveis que o envolvem, discutimos, refletimos e chegamos até a visualizar imagens ou estórias que traduzem este futuro.
Este aprendizado nos municia com informações ricas que apoiam as nossas escolhas.
Aqui o Coach pode trazer luz à conversação. Utilizando-se da “arte da pergunta”, ele conduz uma conversa que desafie o modelo mental de quem recebe o Coaching e o inspira a formar imagens sobre possibilidades que o futuro pode nos reservar. O Coach “puxa” o Coachee para o futuro, tirando-o da zona de conforto (o presente ou passado).
A base para a construção destas ideias são as chamadas “incertezas críticas”. Elegendo um bom elenco destas incertezas, definindo polaridades para elas e deixando a imaginação trabalhar, pode-se construir um conjunto de cenários que habilitarão os envolvidos a lidarem com estas incertezas. Se assim procedermos, vamos trabalhar um conjunto de informações valiosas sobre o “Futuro Possível” e, como mencionamos antes, este trabalho passa a ser um aprendizado sobre o futuro.
Uma segunda etapa importante é a análise dos impactos que os Cenários podem produzir no negócio, e a partir deles tomar contato com as contingências que se pode estabelecer e, com elas, preparar os movimentos adequados. Insistimos, uma vez mais, que o processo de construir estes Cenários é mais valioso que o próprio resultado final dele e pensar de maneira estruturada sobre eles estabelece uma força capaz de moldar nossos modelos mentais.
O processo descrito parece trabalhoso, o Coach deve transformá-lo em algo prático, intuitivo, imaginativo. “As perguntas” são ferramentas poderosas na criação destas peças de imaginação. O repertório do Coach é de extrema importância para alimentar e conduzir este processo. O Coaching pode ser desenvolvido de maneira individual ou em grupos maiores, ou combinando as duas práticas.
Até aqui tratamos aspectos sutis do comportamento e sentimentos quando transitamos pelas incertezas. Com o apoio da razão, imaginamos e arquitetamos futuros possíveis. Parece faltar uma peça para completar a obra, não parece?….
Inovação: O que é inovação afinal?
O Novo, aquilo que vai para o mundo e o transforma. É a inovação que vai fazer a diferença, é uma intenção feita realidade, trazendo o concreto para as dimensões anteriores.
É importante alinhar o entendimento do conceito de inovação. Não é tão óbvio. Não se trata de impor uma definição, mas de recomendar que o Coach dedique um tempo com os(as) protagonistas a fim de definir uma imagem / entendimento comum naquele contexto (negócio / entorno).
A inovação não é apenas uma boa ideia, ela traz sempre consigo um conceito que toca os mais ocultos desejos ou necessidades de um indivíduo ou grupo. A inovação pode também atender a anseios ou mitigar questões da sociedade.
A inovação, muito raramente, surge de um acontecimento ao acaso; conscientemente ou não as pessoas estão sempre em busca do novo.
A atuação do Coach é trazer esta busca para consciência do Coachee e provocar a atitude de ser curioso, de buscar e experimentar.
O Coach deve trabalhar com o Coachee para, de maneira consciente, aceitar que o falhar faz parte do processo, e que não há nada de errado.
Algumas armadilhas ao se trabalhar com o tema Inovação:

  • O modelo de negócio atual dominando as agendas;
  • Insistir em planos de negócios detalhados para novas ideias;
  • Dar mais crédito a opiniões do que a evidências;
  • Falta de dedicação e comprometimento das lideranças;
  • Obsessão pela concorrência e não pelo cliente;
  • Inovação desconectada da gestão;
  • Aversão ao risco;
  • Julgamentos antecipados (apressados).

Estes três componentes se combinam em um poderoso conjunto para nos apoiar no trato com as questões estratégicas e creio que vamos cada vez mais trabalhar com eles no futuro.
Convido o leitor a refletir e questionar-se: Como eu tenho me preparado para o amanhã? Sabendo que o que tenho sobre ele é: Volatilidade – Incertezas – Complexidade e Ambiguidade.

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