Sem nos darmos conta e à imitação da natureza, pertencemos a ecossistemas, seja como indivíduos, como grupos ou organizações. E não a um único, mas sim a múltiplos ecossistemas interligados. E para ilustrarmos esse foco que vem sendo intensificado na nova realidade emergente, a cada edição apresentaremos um pouco do ecossistema ADIGO, o que pertencemos e ajudamos a criar, através de suas partes. Nesta edição, apresentamos um parceiro que nos apoia no tema e vivência da calma interior: Rogério Calia. Para facilitar essa conversa, nosso sócio Rodrigo Goecks preparou algumas perguntas:

Rodrigo: Calia, por que refletir e praticar a calma interior no contexto contemporâneo?

No contexto contemporâneo, muitas pessoas sentem-se sobrecarregadas pela grande quantidade de informações, comunicações, tarefas, metas e expectativas que sentem-se obrigadas a processar. Passamos de uma experiência a outra, com frequência, repetindo comportamentos e atitudes que se mostram disfuncionais. O exercício da calma interior é parar, contemplar as experiências vividas na perspectiva da “terceira pessoa” e deixar emergir uma sabedoria prática de cada uma dessas situações vividas. Isso pode resultar em maior capacidade de dissolver emoções negativas e pode desarmar as engrenagens da reatividade emocional. Além disso, o exercício aguça a sensibilidade para discernir os aprendizados essenciais das situações, incluindo a capacidade de ver e consolidar os valores essenciais e propósito maior que manifestam-se espontaneamente em situações vividas.

Rodrigo: Quais são os casos práticos e resultados em empresas ou instituições que incorporaram esse trabalho?

Alguns líderes e profissionais organizacionais têm relatado que obtiveram uma melhor capacidade para tomada de decisão e maior facilidade de concentração. Em uma pesquisa recente em um grande hospital, nosso time de pesquisa constatou que esse método em conjunto com outras técnicas de treino mental (atencionais, afetivas e comunicativas) proporcionou aumento de percepção de engajamento no trabalho e de atenção consciente.

Rodrigo: A calma interior, mesmo que em estágios mais avançados, pode abrir as portas da intuição?

Sim. Steve Jobs, por exemplo, relata para um biógrafo que a meditação zen budista para “acalmar a mente” o ajudou a abrir mais espaço para a intuição. Penso que o método de “calma interior” proposto por Rudolf Steiner tem uma atuação similar e complementar à prática da meditação zen budista (zazen) em relação a esse efeito de “acalmar a mente”

“Se você apenas sentar e observar, você vai notar como a sua mente é inquieta. Se você tenta acalmar ela, só piora, mas com o tempo a mente acalma e quando ela acalma surge espaço para ouvir coisas mais sutis – é nesse momento que a sua intuição começa a florescer e você começa a ver as coisas com maior clareza e a estar mais no presente. A sua mente simplesmente acalma e você vê uma tremenda extensão no momento. Você vê muito mais do que você conseguia ver antes disso. É uma disciplina; você tem que praticá-la” – Depoimento de Steve Jobs no livro sobre a sua biografia (Isaacson, 2011).

Agradecemos a participação de Rogério Calia em nosso blog e, para todos que se interessaram pelo tema, segue link para a vivência “Calma Interior: o Desafio Contemporâneo”.

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