Por Jaime Moggi

A maioria dos líderes, nas grandes organizações, tem contato com várias “tipologias” e metodologias de assessment de pessoas, por meio dos treinamentos providos pelas áreas de RH. Mas, talvez, o modelo mais clássico e antigo é o dos temperamentos humanos, usado desde a antiguidade, por Galeno e Empédocles.

No começo do século XX, Rudolf Steiner, e outros pesquisadores revitalizaram o conceito e encontraram uma série de aplicações práticas.

Se você está no papel de liderar pessoas pode ser extremamente útil identificar esses temperamentos em si mesmo e nos seus liderados. É razoavelmente simples a identificação do arquétipo e essa se dá a partir da observação do dia a dia.

Na visão da antroposofia, temos quatro níveis ou dimensões do ser humano.

Como lidar com os diversos temp humanos im01

© Adigo Consultores

No nível físico temos aquilo que há de mais concreto no ser humano: seus minerais, carne, ossos e músculos. Para efeito didático, imagine um cadáver, inerte, frio, completamente sob a ação da gravidade e do tempo. Passado algum tempo só restará aquilo que temos de mais mineral: os ossos. O único processo presente é a entropia. “Do pó vieste, ao pó voltarás”.

Continuando com nossa imagem, em vez de um cadáver, agora imagine um ser humano dormindo. O que mudou? Há vida, movimento (pouco), processos acontecendo, respiração, crescimento, etc. Podemos medir os sinais vitais.

A este estado podemos dizer que acrescentamos o corpo ou o nível vital. Assim como uma planta se diferencia de uma rocha, este estado se diferencia do anterior. Se extrairmos este nível, os minerais que estavam coesos se desfariam. É este nível que mantém os minerais coesos e os processos vitais internos funcionando. É ele que plasma e dá forma ao corpo físico.

Agora, o ser humano que estava dormindo, acorda! O que ele ganha? Consciência, sentimentos, instintos, emoções, hábitos, etc. Este estado que chamamos de anímico (de alma, “anima” do latim, ânimo, animado), está tão distante do anterior, quanto os animais estão das plantas. E se pedirmos para este ser humano nos contar sua biografia, veremos que ele tem sonhos, valores, ideais, que ele é único e singular. O que os gregos antigos chamavam de Eu e já não encontramos similar na natureza.

Nestes quatro níveis de ser humano vamos olhar com mais cuidado os dois primeiros.

Voltemos ao nível físico. Neste existem três tipos básicos: o neurossensorial, o rítmico e o metabólico. Ou se você preferir, os tipos pícnico, atlético e o leptossômico (esquizoide).

Para o tipo pícnico, imagine o nosso ex-presidente Lula, baixo, atarracado, pescoço curto. Para o tipo esquizoide (leptossômico), o nosso ex-vice-presidente, o Marco Maciel, ou o chefe do Homer Simpson (Sr. Burns), magros, altos, de pescoço longo, cabeça grande. Se tivéssemos uma régua entre os dois, o atlético ficaria bem no meio. Para que serve isso? O conceito tem sua utilidade em fisioterapia, educação física, ergonomia, etc.

Porém o mais importante é que não temos poder de ação sobre esta constituição. Nossa estrutura óssea, por exemplo, para todos os efeitos práticos, não muda. Nem há muitas maneiras de se ficar mais pescoçudo ou cabeçudo.

Já no nível vital é onde se manifestam os temperamentos humanos.

A palavra temperamento, por si só, já nos dá uma ideia do seu significado. Ela remete a tempero. Algo que dá um gosto, um sabor peculiar à comida.

Quando perguntei a engenheiros de uma usina siderúrgica o que a palavra temperamento os lembrava, eles disseram “têmpera”. Processo que também dá qualidade específica ao aço, a partir da quantidade de oxigênio que se usa na sua fabricação.

Os temperamentos também são “qualidades” características que se sobrepõem ao ser humano. Estas “qualidades” estão intrinsecamente ligadas ao corpo vital, que é a própria energia de vida de cada um de nós. Que dá forma ao nosso corpo. Que rege nossos impulsos mais viscerais e profundos. E são quatro os temperamentos humanos básicos.

No nível anímico e do Eu também temos outras qualidades que ajudam a equilibrar esta força mais “primitiva” e clara dos temperamentos. Não vamos falar delas neste momento.

Os temperamentos humanos são viscerais e, por isso, temos pouco controle sobre eles. O Eu consciente pouco pode fazer com esta energia, mas pode controlar e educar suas manifestações e comportamentos observáveis.

Ao longo da vida mudamos pouco os nossos temperamentos, mudamos sim a forma como eles se manifestam através da autoeducação. Mas a vontade, o impulso, ainda estão ali, dentro de nós.

Todos nós temos os quatro temperamentos humanos. Olhe para os dedos de sua mão. Assim como eles, temos um temperamento que é mais intenso, outro um pouco menos, outro menos ainda, e, um quarto quase inexistente. Estes se interagem e se complementam.

Estes quatro temperamentos estão representados, arquetipicamente, também nas quatro estações do ano, nos quatro pontos cardeais, nos quatro elementos, nas quatro estações da lua, etc.

Vamos vê-los, inicialmente, na sua forma pura (que não existe na realidade, é uma abstração).

©Adigo Consultores

Vamos começar pelo Temperamento Colérico

Nosso “amigo” colérico vive na ação. Ele quer realizar, atingir seu objetivo. Faz de si mesmo a imagem do herói. Se você pede para ele te contar o que aconteceu no fim de semana, ele vai contar a história de um problema que resolveu, ou um desafio que venceu.

Fisicamente ele tem duas características bem marcantes. Os olhos cheios de fogo (fogo é seu elemento) faíscam quando contrariados e um andar de passos firmes; costuma bater seu calcanhar no chão. Na praia é fácil identificá-lo. Ele vai caminhando e deixando as marcas de seus calcanhares. O tipo puro, se existisse, seria um baixinho “invocado”.

Tronco grande para o tamanho das pernas, ombros largos, pescoço curto, testa alta. Vai em direção ao seu objetivo sem prestar muita atenção ao que acontece ao redor.

Vamos encontrar grandes líderes na história com este perfil colérico. Napoleão talvez seja o tipo mais conhecido. É possível ver sua cólera saindo pelos olhos.

Como lidar com os diversos Temperamentos Humanos

Como todo bom colérico, conheceu a derrota pelo excesso de confiança e por não ouvir as pessoas. Apesar de todos os conselhos contrários, invade a Rússia com 800 mil soldados da Grande Armée. E, derrotado, retorna a Paris com apenas 35 mil. Perde o trono e a liberdade ao se propor uma tarefa que estava além do seu limite e ao da França.

Na política brasileira, a presidenta Dilma e o ex-presidente Fernando Collor são bons exemplos de coléricos.
Nas organizações encontramos muitos coléricos em posição de liderança. Já que eles decidem, vão sendo promovidos até atingirem seu nível de incompetência.

Os coléricos são capazes de ter uma grande discussão com você. Aos berros insulta e, depois, no momento seguinte, te trata como se nada tivesse acontecido. E para eles nada aconteceu mesmo.

Como lidar com coléricos? Algumas dicas:

Não abaixe o olhar para ele. Não é fácil com aqueles olhos fuzilantes. Mas se você o fizer, ele pode perder o respeito por você.

Enfrente-o, mas sem brigar. Olhe nos olhos dele, coloque seus pontos de vista calmamente e com firmeza. Fale num tom um pouco mais baixo que o dele. Se não, ele vai subir o tom e logo vocês estarão gritando.

Não tenha medo do chilique que ele possa dar. Ele esquece rapidamente e o mais provável é que ele passe a respeitá-lo mais. E se não mudar de opinião na hora, ele mudará depois, quando se acalmar.

Certa vez, uma multinacional me chamou para conduzir um team building com um grupo de RH. Cheguei para a primeira reunião e lá estavam o diretor e o gerente de RH. O diretor disse que a área de RH estava com alguns pequenos problemas de clima, conforme pesquisa realizada pela empresa. Pedi para olhar a pesquisa e era uma “tragédia”; a área era a pior avaliada na organização. O gerente de RH disse que, além de trabalhar a pesquisa, gostaria de fazer o planejamento estratégico da área (tudo em um dia). Disse que achava difícil trabalharmos os dois temas num mesmo dia, e que precisava fazer algumas entrevistas de diagnóstico para desenhar o programa. Ele concordou e, no dia seguinte, lá estava numa sala, a minha primeira entrevistada.

Começo a conversa com a moça, contando os objetivos da entrevista, garantindo a confidencialidade. E, na primeira pergunta, a moça começa a chorar: “Eu não aguento mais trabalhar aqui. Ele humilha a gente em público. Se você faz hora extra, ele diz que estamos roubando a empresa”. Ela descreve uma série de situações do mesmo tipo.

Vem minha segunda entrevistada e a história se repete. Chega um terceiro caso, um homem, que se senta e, sem nem dizer nada, já começa a chorar. E contou a mesma história.

Liguei para o diretor e contei para ele o quão grave era a situação, que talvez não fosse caso para team building. Ele me disse: “Não Jaime, ele está há muito tempo com a gente, precisamos tentar recuperá-lo”, etc. e tal.

Alguns dias depois, o gerente compareceu para a reunião de devolutiva das entrevistas e para a apresentação do programa. Logo que entrei na sala, o diretor disse que não poderia participar e saiu fininho. E ficamos sozinhos, eu e nosso amigo colérico. Propus que lêssemos o relatório juntos. Eu havia levado a essência do que ouvi, sem identificar quem disse o quê.

A cada frase que ele lia, mais vermelho e bravo ficava: “Onde já se viu isso! Dizer que não valorizo as pessoas! Fulana entrou aqui como analista júnior, hoje é supervisora. Beltrano, mandei para a Inglaterra para passar um ano num programa de treinamento. Sabe quantos aumentos de mérito eu dei este ano?…” Tudo o que ele relatava era verdade. “Os indicadores da minha área são os melhores da empresa…”.

Depois de umas duas horas de conversa, ele mostrava-se resistente e completamente avesso a assumir qualquer responsabilidade. Eu olhei bem nos olhos dele e calmamente disse: “Sabe qual é o verdadeiro problema?”. “Não”, disse ele. “O problema é que você não é capaz de mudar. Estes comportamentos aqui descritos, você sabe que não pode tê-los. Não se trata das pessoas serem ingratas ou sensíveis demais. Trata-se da sua falta de capacidade de mudar este estilo”, completei. Fez-se um silêncio… E ele bateu com a mão na mesa e disse: “Se eu quiser, sou capaz sim! Por que você acha que não sou capaz?”. E a conversa prosseguiu.

Na semana seguinte, na abertura do team building, ele abre os trabalhos dizendo: “Pessoal, tive uma conversa com o consultor depois das entrevistas. Passei aquela noite sem dormir, pensando na maneira como eu lidero vocês. Cheguei a uma conclusão – preciso mudar! E preciso da ajuda de vocês para isto”.

Seis meses depois, ao olhar as pesquisas de clima, o resultado da área de RH foi o melhor da empresa. Quando acontecia alguma coisa que não deveria, o gerente continuava sentindo vontade de enforcar um? Sim, o temperamento continuava lá, mas ele não fazia nada no momento. No outro dia, chamava a pessoa para conversarem sozinhos, em vez de dar uma bronca em público e no calor do momento.

Coléricos são movidos a desafios. Se você fizer com que esta energia se volte para o autodesenvolvimento, são capazes de mudanças profundas.

Portanto, se quiser motivar um colérico, desafie-o. Outra coisa é dar-lhe tarefas que estejam um pouco além das suas capacidades, para que ele desbaste suas garras e descubra que precisa de ajuda.

Sanguíneo

Seu elemento é o ar. Andar saltitante, leve. Olhos vivos, interessados, com um rosto muito expressivo. Extrovertido, vive fora de si. Suas qualidades são agilidade, flexibilidade, inovação. Se você lhe pede uma ideia, ele lhe dá cinco. É aquele tipo que lê a orelha de um livro e sai dando palestra. Inteligentes, rápidos, conhecem todo mundo, são amigos de todos. Difícil conflitar com eles; são muito escorregadios.

Distraídos, cheios de interesses dos mais variados. Nossa sociedade hoje é muito sanguínea, por isso é tão valorizada. Faz várias coisas ao mesmo tempo. É a última a chegar na reunião e a primeira a sair. Uma boa imagem do tipo sanguíneo é o estereótipo do brasileiro: amigável, criativo, flexível, festeiro, dá um jeitinho em tudo. Deixa tudo para última hora, não planeja.

Eu estava em um hotel resort em Santa Catarina e li, em uma revista, algumas dicas para estrangeiros no Brasil: Não chegue no horário no Brasil, não é de bom tom, chegue cinco minutos atrasado, no mínimo. Nós podemos ficar bravos com este estereótipo, mas não há como não ligá-lo à nossa realidade. Se seu amigo marca uma festa às 8 horas da noite, na casa dele, e você chegar exatamente às 8, corre o risco de encontrá-lo de roupão.

As obras de mobilidade urbana não ficaram prontas para a Copa. Não tem problema, decretamos feriado no dia!

Na política brasileira, Lula é o presidente mais popular da história do país, ele tem muito de sanguíneo.

O PAC 1 emperra, a gente lança o PAC 2. Os companheiros Netanyahu e Ahmadinejad estão em conflito, a gente vai lá e faz um acordo. É igual no sindicato em São Bernardo. Se não há sanguíneos na sua equipe, não se tem inovação, bom humor, leveza. Se você não tem “sanguinidade”, não gosta de mudanças, de fazer diferente, de conhecer pessoas.

Como lidar com este tipo?

A princípio não dê tarefas de longo prazo e só faça follow-up no final. É provável que ele não tenha feito o que você pediu e ainda te convença de que o que ele fez no lugar foi muito melhor.

Dê-lhe atividades diferentes, liberdade para inovar. Procure conhecê-lo muito bem em termos pessoais. Quando você atravessa essa primeira capa de superficialidade e faz um contato mais profundo, perceberá que eles são capazes de desenvolver admiração genuína pelas pessoas.

Fleumático

Qual o povo famoso no mundo pela fleuma? O inglês.

A fleuma britânica é lendária!

Há um filme de 1964, chamado “Zulu”, que retrata um episódio real do século XIX. Nele, um forte inglês é cercado por milhares de guerreiros zulus que atacam com fúria devastadora. E os soldados ingleses, organizados em diversas linhas com profundidades diferentes, vão atirando, um após o outro, no mesmo ritmo. Enquanto um atira, o outro carrega as armas. Metodicamente, por horas a fio. A única coisa que os faz parar? Hora do chá! Algumas linhas, organizadamente, sem pressa, tomam seu chá, enquanto os outros continuam com seu trabalho. Até todo o exército Zulu estar morto. Isto é fleuma!

Em Londres, no dia seguinte às explosões terroristas de 7 de julho de 2005, todas as estações estavam funcionando. As pessoas iam calmamente para seu trabalho. Já imaginou a seguinte cena aqui no Brasil ou na Itália: A orquestra do Titanic tocando suas músicas, enquanto o navio afunda?

A fleuma britânica derrotou Hitler, que fez com que a força aérea alemã atacasse a população britânica, esperando que ela ficasse aterrorizada. E é claro, apesar do bombardeio, continuou seguindo sua rotina normalmente.

Pessoas fleumáticas ou que têm fleuma possuem um andar pesado e ritmado. Olhos amigáveis, cara simpática. Tendem mais para o sobrepeso. Seu lema é “devagar e sempre”. Aí está sua força. São capazes de manter um esforço constante, por um longo tempo. Geram resultados sólidos e consistentes. Diante das crises, mantêm a calma e seguem o seu ritmo.

Há grandes líderes da história com características fleumáticas. O Marquês de Pombal é um deles. Logo após o terremoto de Lisboa, que matou um terço de toda a população lisboeta, correram ao marquês e perguntaram: “E agora?”. Ao que ele respondeu calmamente: “Enterraremos os mortos e cuidaremos dos vivos”. Simples assim!

Sobre Luís XIV, o maior rei que a França já teve, dizem que era possível ajustar o relógio de acordo com o que ele estava fazendo. Seguia uma rotina incansável.

Na política brasileira, o ex-presidente Fernando Henrique é um bom exemplo de fleumático.

Fleumáticos são bons ouvintes, observadores, bem humorados e os ritmos do corpo são muito importantes para eles. Se quer deixar um fleumático irritado, basta atrasar o horário de almoço.

Como lidar com um fleumático?

A primeira dica é não tentar acelerá-lo! É contra produtivo. Ele vai se atrapalhar. Dê uma tarefa com horário pré-determinado e de qualidade. No horário combinado ela estará pronta. Se você ficar fazendo follow-up, ele vai se atrapalhar e não vai conseguir.

Eles gostam de ritmo/rituais, isto os fortalece. Marque reuniões de monitoramento com antecedência, tenha uma rotina com ele.

E cuidado! Fleumáticos são muito calmos e tranquilos, mas a ira fleumática é devastadora. Se você encher muito o “saco” dele, mas muito mesmo, corre o risco de ver uma explosão descontrolada. Estes assassinatos que acontecem, em que o indivíduo mata, corta em pedacinhos, sai com o corpo numa mala, calmamente, e volta como se nada tivesse acontecido, geralmente foi um fleumático irado que cometeu.

Melancólico

O elemento do melancólico é a terra. Isto lhe dá peso, densidade.

O tipo puro (para efeito didático) teria ombros caídos, andar arrastado, olhos tristes, aparência envelhecida.

A grande qualidade do melancólico é a profundidade. Enquanto nosso amigo sanguíneo leu a orelha do livro para dar a palestra, este leu dez livros. Se for para falar por cinco minutos, ele está preparado para falar por horas.

É pessimista, ótimo para ver tudo que pode dar errado naquele projeto. É muito crítico consigo e, em consequência, com os outros e as coisas. Faz diagnósticos como ninguém, gosta de encontrar a causa raiz do problema.

Não se contenta com os sintomas. É capaz de grandes sacrifícios e dedicação a alguém ou a uma causa.

Tem poucos amigos, mas é extremamente leal aos que tem e os mantém por toda a vida.

A cultura japonesa tem fortes traços de melancolia. Político japonês quando pego em corrupção, se mata. No Brasil, foge para Riviera com a amante e volta a ser candidato quando esquecerem o escândalo.
Nas famílias japonesas, o filho mais velho se sacrifica para que os demais estudem. Da mesma forma, portugueses e argentinos têm muito desta qualidade melancólica.

Como melancólicos famosos, temos Chopin e Madame Curie. A única mulher a ganhar dois prêmios Nobel, Madame Curie continuou sua pesquisa com a radioatividade, mesmo sabendo que isso a estava matando.

Quando você passar mal, sozinho, naquele sábado de madrugada, com seus cálculos renais, vai precisar de ajuda. Você vai ligar para seu amigo colérico e o telefone estará fora de área, já que ele foi acampar. Seu amigo sanguíneo não vai entender o que você está falando, pois o som da casa noturna em que ele está é muito alto. Seu amigo fleumático não vai acordar, está dormindo profundamente. Quem vai te levar para o hospital? Sim, é ele, o leal melancólico. Apesar de reclamar um pouco no caminho.

Líderes melancólicos são ótimos para nossa aprendizagem. Pegam todos os erros que cometemos nos nossos relatórios. Para ele, o relatório sempre pode ser melhor. Se você for o liderado, uma dica, não dê “chute” nas respostas ou resultados. Se você não tiver consistência no que diz, ele vai perder o respeito por você. Falar um número hoje e outro amanhã é a morte.

Não tente alegrar melancólicos, eles não gostam. São movidos por sacrifício e por dever. Convoque-o para algum sacrifício e ele vai dar o melhor de si.

Retomemos agora o que foi abordado até aqui.

Como dito no início do artigo, os quatro arquétipos, na sua forma pura, não existem. Todos nós temos os quatro temperamentos humanos. Um mais preponderante, o outro um pouco menor, um terceiro menor ainda e o quarto residual.

São quatro forças viscerais que advêm da nossa vontade. É importante esclarecer que temperamentos humanos não determinam comportamentos. Supomos que seu carro foi fechado enquanto dirigia; você saiu para tomar satisfações e levou uma baita surra. Espera-se que, na próxima vez que for fechado, você não saia do carro, mas a vontade estará lá.

A forma como o temperamento se expressa pode e deve ser educada ao longo da vida.

Mas, ao conhecer melhor o seu temperamento, será mais fácil entender o seu padrão de pensamento e de ação, mais provável e/ou natural, em determinadas situações. Assim, você poderá mudar o padrão, de acordo com a situação específica.

O temperamento, em si, mudamos pouco ao longo da vida.

Crianças tendem a ser mais sanguíneas. Conte uma história para uma criança e observe o seu rosto se transformando a cada cena, preenchido de “sanguinidade”.

Adolescentes tendem a ser mais coléricos. Adultos, mais melancólicos, e, idosos, fleumáticos. Se você quiser provocar um motim no asilo, mude o horário da refeição. Ou, chegue atrasado para a macarronada da nona no domingo.

À medida que envelhecemos, vamos ganhando certo distanciamento das coisas. Mas, Rudolf Steiner resume bem o desafio que temos. Ele diz que, devemos estudar como um melancólico, nos interessar pelo mundo como um sanguíneo, fazer as coisas como um colérico, e, enfrentar as vicissitudes da vida como um fleumático.

58 comments on “Como lidar com os diversos temperamentos humanos

  1. Marco Barata em 19 de fevereiro de 2016 :
    É fácil assim nos identificarmos e compreendermos mais os nossos semelhantes ao redor.
    BOM ARTIGO .
    PARABÊNS

  2. Marco Barata em 19 de fevereiro de 2016 :
    É fácil assim nos identificarmos e compreendermos mais os nossos semelhantes ao redor.
    BOM ARTIGO .
    PARABÊNS

    1. Claro, quanto maior o entendimento do ser humano, menos doloroso é o caminho de transformação. Sugiro q veja o video Temperamentos Humanos, do Jaime Moggi. Neste site.
      Sucesso. Rodrigo Goecks

    1. Claro, quanto maior o entendimento do ser humano, menos doloroso é o caminho de transformação. Sugiro q veja o video Temperamentos Humanos, do Jaime Moggi. Neste site.
      Sucesso. Rodrigo Goecks

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