Por Jaime Moggi

Dentro das organizações modernas são cinco as dimensões sobre as quais você deve exercer sua liderança de maneira consciente e ativa.
A mais óbvia delas é sua equipe direta.
Nesta dimensão está o grupo de pessoas que, de acordo com o organograma, responde diretamente a você.
Seu principal desafio com este grupo é: manter os integrantes engajados e motivados com o trabalho.

  • Como fazer com que se sintam importantes e responsáveis pelo que fazem?
  • Como manter, entre eles, um clima de cooperação e aprendizado?
  • Como obter os resultados esperados e garantir o constante desenvolvimento deles?

A outra dimensão está na liderança dos seus pares.
Você depende dos produtos e serviços que eles lhes prestam para gerar seus resultados. Assim como, os produtos e serviços que você gera são os insumos para eles.
Manter um bom relacionamento com os seus pares e saber influenciá-los é parte fundamental do seu papel.
Neste caso você terá, também, uma excelente oportunidade de exercitar suas habilidades de liderança da maneira mais pura, já que não tem autoridade hierárquica sobre eles.
E como influenciá-los e persuadi-los a colaborar com você, para que, em contrapartida, possa ajudá-los?
Talvez aí esteja a chave – fazê-los perceber que, ao colaborarem com você, estão colaborando consigo mesmos e com a organização.
Não foram poucos os executivos que conheci que tiveram suas carreiras interrompidas por falta de habilidade para liderar seus pares. Os viam como adversários, e, quando aparecia uma oportunidade de carreira eram rejeitados, já que nunca seriam aceitos por eles (os “supostos adversários”) como novo líder.
Não é incomum ouvir de um gerente que “se Fulano for o sucessor do diretor, eu vou embora da empresa”.
Alguns tolos acham que, apenas por conseguirem mais resultados em sua área de atuação/negócios, são automaticamente os candidatos naturais à sucessão. Hoje em dia, muitas organizações estão decidindo promoções e movimentações de pessoal em comitês de avaliação, portanto, o processo de “sucessão natural” fica cada vez mais difícil. Sem falar no quanto mais difícil fica obter resultados sem apoio dos seus pares, que são, na maioria das vezes, clientes ou fornecedores internos.
Liderar a si mesmo
Se você quer liderar pessoas sem ser capaz de liderar a si mesmo, esqueça!
Nesta dimensão, o autodesenvolvimento torna-se o eixo central. È preciso lidar com os dilemas que a liderança traz:

  • Lidar com a ética, com o mal dentro e fora de nós;
  • Com nossa procrastinação, preguiça, raiva, com o próprio cansaço e desânimo;
  • Como estar seguro de que você está aprendendo e não estagnado?

Liderar seu líder
É com ele que você vai acordar seus objetivos, conseguir recursos para seus projetos. Uma promoção para alguém da sua equipe, ou aprovar um desligamento. Numa crise, é com ele que você busca apoio político.
Se você não consegue liderar minimamente seu superior hierárquico, talvez seja melhor trocar de emprego.
Liderar a organização
As organizações – sejam elas uma empresa, uma ONG ou uma autarquia –, cada qual tem uma cultura, uma identidade própria.
Conhecer a cultura, mapeá-la, saber como navegar e influenciar de acordo com as suas características, são aspectos fundamentais.
Comportamentos que te levaram ao sucesso em uma determinada cultura, em outra, podem ser o caminho para o fracasso.
Dentre todas as dimensões citadas até aqui, a primeira que lhe é demandada na carreira é a liderança de si mesmo.
Você assume sua primeira posição de liderança em uma organização, na maioria das vezes, porque foi reconhecido como um bom técnico ou especialista. Por ser aquele, por exemplo, que entregava produtos, serviços e projetos dentro dos prazos e com a qualidade exigida.
Para tanto, é importante um mínimo de autoconhecimento. Conhecer sua capacidade de trabalho, compromissos que pode assumir, quais são seus limites, como produzir mais, como minimizar seus erros, etc. E conhecer, é claro, as técnicas e metodologias necessárias para o trabalho. Ao reconhecer tudo isso em você, e ao lhe darem uma oportunidade de liderar pessoas, o desafio aumenta.
Além do conhecimento de si mesmo e da “técnica”, o seu grande desafio é liderar um grupo de pessoas. Conhecer as capacidades e limitações da sua equipe. Distribuir tarefas de maneira adequada. Motivar e engajar a equipe de acordo com os objetivos da empresa. Ajudá-la a se desenvolver.
Logo você começa a perceber que gerenciar bem sua equipe não é suficiente. Que existe uma figura que exerce um enorme impacto no seu trabalho – seu superior imediato. É ele quem aprova os recursos que você precisa. Com quem você negocia suas metas. Quem toma, às vezes, mais do seu tempo do que a sua equipe.
Se você consegue, minimamente, exercer uma boa liderança sobre este superior, o relacionamento com seus pares começa a se tornar prioridade.
Vale lembrar que, os processos que você administra, raramente estão do início ao fim sob sua responsabilidade.
Gerenciar estas interfaces é crucial para que você possa gerar os resultados que a organização necessita.
É comum, a um líder inexperiente, que não consegue liderar seus pares, recorrer constantemente ao seu chefe, ficando, assim, com a imagem de quem não consegue resolver os próprios problemas. Essa posturavai irritando seus pares, que a cada intervenção do “chefe”, mais boicotam seu colega, formando-se assimum circulo vicioso.
Para liderar uma organização é necessário conhecer profundamente a identidade, os valores e princípios, o jeito de ser da empresa, identificar-se com ela. Nesta dimensão estamos falando de habilidades conceituais e “morais”. Conceituais no sentido de usarmos a linguagem necessária, de criarmos conceitos a partir da realidade da empresa. Conceitos de uma visão de futuro para a empresa ou de acordo com sua área de atuação. Como exemplo, construir novos valores e introduzi-los no cotidiano da sua equipe, criar modelos de gestão e de negócio. E, nos aspectos morais, ser reconhecido pela coragem, transparência e integridade.
Provavelmente, você não lembrava que tinha que liderar tanta gente!
Aliás, quase me esqueci de um cara importante. Se olharmos apenas do ponto de vista de sua carreira na organização, sabe qual é a pessoa mais importante? O decisor final – o “chefe” do seu “chefe”.
Se você já tentou promover alguém da sua equipe, aquele que seu superior imediato não gostava, você sabe do que estou falando. Apesar de ser uma figura mais distante “do seu escolhido”, é ele quem toma a decisão final. Dificilmente seu líder vai promovê-lo, por não haver o mimo e a aquiescência dele.
Aproveitar oportunidades para construir uma imagem de profissionalismo e integridade com este superior é fundamental se você tem ambições de carreira.
Quem-voce-lidera

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