Por Jair Moggi 

Responda de você para você mesmo as seguintes questões:

  • Se você fosse financeiramente independente, seria ainda assim um Business Partner?
  • Você não aceitaria uma promoção para outra área da empresa para ganhar bem mais e onde estaria atuando como um profissional especializado?
  • Você sente que está fazendo algo a mais para os seus clientes internos além de lhes ensinar uma técnica ou resolver um problema específico?
  • Você sente que o trabalho de consultoria interna tem um significado para você que vai além dele (o trabalho) ser fonte de receitas?
  • Você vê essa profissão como a principal fonte de desafios, de autodescoberta ou de desenvolvimento pessoal?
  • Você gosta de trabalhar tendo na maior parte do tempo pessoas ao seu redor? Você tem paciência com as pessoas?
  • Você acha que este trabalho é uma forma de você cumprir o seu destino ou a sua missão de vida?
  • Você se sente bem trabalhando com incertezas e situações desestruturadas que envolvam conflitos e interesses pessoais?
  • Você consegue tomar uma posição pessoal acerca de uma situação, apenas após ter analisado todos os possíveis pontos de vista dessa situação?
  • Você se considera 100% autêntico ao posicionar junto aos seus clientes internos?

A forma como eu e você respondemos essas questões afeta significativamente o modo como nos envolvemos no nosso trabalho como consultores internos (Business Partner). Mais respostas positivas definem a consultoria como ponto principal de nossas vidas. Mais respostas negativas explicam a consultoria como meio para outras metas na sua carreira ou na sua vida.

As respostas positivas são aquelas que levam você a se identificar com a vocação do Consultor Interno ou do Business Parner.

A palavra vocação literalmente significa chamamento. Pense respondendo para você mesmo: você se sente chamado para alguma coisa ao atuar nesse papel ou profissão?

É sempre bom lembrar que, necessariamente ter talento não significa ter vocação.

Ninguém dá o que não tem.

Para nós consultores internos ou externos, é especialmente importante entender quem somos e o que podemos dar aos outros. Os outros, no caso, são nossos clientes. Para tanto, o primeiro passo é nos conhecermos em nossas qualidades intrínsecas e extrínsecas.

Qualidades intrínsecas, são aquelas ligadas diretamente ao nosso Eu tais como:

  • Valores pessoais
  • Missão de vida
  • Caráter
  • Experiências vividas e etc.

Outros aspectos mais objetivos ligados ao Eu, são os relacionados a:

  • Habilidades conceituais para, a partir de uma situação caótica, abstrair modelos e princípios genéricos.
  • Habilidades sociais para saber ouvir, saber falar, saber se comunicar, saber ensinar, capacidade para perceber situações sociais, etc.
  • Curiosidade constante e espirito de inovação.
  • Flexibilidade para lidar com situações conflituosas ou aparentemente sem saídas. Por exemplo: se lhe derem um limão, por que não fazer uma limonada?

As qualidades extrínsecas do Business Partner são aquelas que o ele manifesta no dia-a-dia, são aquelas que os clientes e os seus colegas percebem ao vê-lo atuando, como, por exemplo: sua habilidade em uma reunião para trabalhar com situações críticas, sua postura ao se confrontar com o cliente numa situação ética/moral, seu estilo de preparar um relatório ou de dar uma palestra, habilidade para fazer síntese de situações complexas, etc..

A consciência das nossas virtudes ou dos nossos pontos fortes é que deve nos sustentar nesses tempos difíceis que estamos vivendo, por isso, é muito importante saber o que eu sou, de fato no meu íntimo, pois é a consciência dessas nossas virtudes e não virtudes que permitirá ser bem sucedido no trabalho de Business Partner.

A consciência desses aspectos nos torna competentes para agir com os nossos cliente praticando um antigo preceito moral que diz: “ninguém dá o que não tem”, isto é, eu só posso dar dinheiro para alguém, se eu tiver dinheiro, eu só posso dar amor sermos eu tiver amor, eu só posso dar sabedoria e assim por diante…

O que isso tem a ver com Business Partner?

O Consultor Interno é chamado para dar algo à Organização, algo que esta não tem e esse algo não é um produto específico, mas sim um serviço. Ao prestar um serviço de consultoria, o consultor deve saber que a qualidade do serviço é de natureza intrínseca, isto é, diferente da qualidade de um produto em que a qualidade é percebida externamente. A Natureza da qualidade de qualquer serviço é percebida quando alguém serve alguém, ou seja, o pano de fundo de um serviço é sempre uma relação humana onde o cliente antes de perceber a qualidade extrínseca de um serviço sente a qualidade intrínseca de quem está prestando o serviço. É uma questão de talento, vocação e competência.

Essa qualidade intrínseca do serviço, que o cliente sente, é que faz de nós mesmos, como indivíduos, a nossa principal ferramenta de trabalho.

Assim como a consciência dos nossos pontos fortes deve ser a nossa âncora para enfrentarmos os desafios, também a consciência dos nossos pontos fracos deve servir de motivo para nos impulsionar na direção de um profundo processo de autodesenvolvimento, visando buscar incorporar em nossa personalidade aquilo que não temos, se quisermos dar tanto em nossa vida pessoal quanto em nossa vida profissional algo para alguém.

Para melhorar essa ferramenta viva de trabalho, isto é, nós mesmos, precisamos saber trabalhar com o nosso lado sombrio ou com as nossas não virtudes?

O Nosso Lado Sombrio

A consciência das nossas não virtudes exige de nós a coragem para trabalhar com o nosso lado sombrio. Isso é importante, pois, se soubermos trabalhar e aceitar o nosso lado mais obscuro com certeza saberemos aceitá-lo também em relação aos nossos clientes internos ou externos.

Essa crença evita uma visão ingênua, uma vista com lentes cor de rosa, que espera que os projetos sejam bem sucedidos por causa da boa vontade e boas intenções nossas e das pessoas com as quais trabalhamos. Essa postura antecipa um espectro de possíveis respostas das organizações, das pessoas e de outros consultores sobre os problemas. Essa postura não nos faz nem pessimistas nem otimistas. Ela é, no fundo, realista e começa a surgir inteiramente a partir do entendimento e da aceitação do nosso lado obscuro.

Como tomar conhecimento desse lado sombrio?

Enfrentado seu desconforto. Pesquise dentro de você a parte que o faz sentir- se desconfortável em sua vida e em seu trabalho. Procure entender mais acerca dos aspectos que o incomodam. Esse é um trabalho individual e indelegável. Somente você pode fazê-lo de forma consciente.

Ouvindo seus parceiros. Procure trabalhar com uma equipe de trabalho com abertura suficiente para a troca de feedbacks maduros à medida em que as etapas dos projetos avancem. Caso o grupo não seja maduro, procure desenvolver um grupo de estudos fora do círculo de trabalho, em que você possa explorar/trabalhar de forma focalizada o seu lado sombrio.

Ouvindo seus clientes. Aprenda a ouvir os clientes, desenvolva com eles relações maduras que lhe permitam checar constantemente o seu lado obscuro.

Precisamos estar conscientes também de que essa postura de buscar uma consciência dos nossos pontos fracos e fortes é uma atitude de desenvolvimento e de crescimento pessoal. Tudo que nos faça crescer como consultores e como pessoas deve ser feito, porque a nossa missão, ao colocar nosso ser diante de pessoas que esperam de nós um determinado trabalho, também é a de servirmos de modelos ou espelhos, mexendo com isso no destino das pessoas que entreguem conosco..

O AMOR

A melhor postura para se trabalhar com o nosso lado sombrio e para corresponder ou fazer jus à vocação de consultor é ter amor.

Não o amor romântico, mas o amor como o sentimento maior por tudo aquilo que tem algum significado existencial para você, isto é:

Amor por mim mesmo. Esse amor por mim mesmo se consubstancia na minha vontade de avançar em direção ao meu autoconhecimento aceitando-me, entendendo, sendo entendido-me, aceitando e melhorando o que pode ser melhorado. Quando isso se incorpora ao meu jeito de ser, posso dizer que amo a mim mesmo.

Amor pelo meu trabalho. Se você não ama seu trabalho e não descobre elementos do mesmo para serem amados ao longo do tempo, então deixe-o. Você passa mais de um terço da sua vida trabalhando. A vida é muito importante e o trabalho é muito importante para a vida de maneira que não se deve gastá-la fazendo o que não se gosta.

Amor pelas outras pessoas. Como consultores, investimos muito tempo com outras pessoas e a nossa maneira pessoal de atuar afeta os destinos das pessoas dos grupos e das organizações com as quais atuamos. Se amamos o nosso trabalho, por decorrência amamos também as pessoas com as quais trabalhamos. O bom consultor de mudanças sabe que a melhor e a maior energia para se trabalhar em qualquer projeto surge quando estamos trabalhando com aspectos que afetam as vidas das pessoas. Esses aspectos podem ter como objetivo:

  • Criar uma nova realidade.
  • Criar umaterceira história numa situação de conflito
  • Mudar uma cultura.
  • Melhorar um processo produtivo.
  • Desenvolver novas habilidades nas pessoas.
  • Consolidar um estilo mais participativo de gestão.
  • Implantar um novo processo de trabalho.

Quem não vê amor nessas dimenções não tem vocação para trabalhar como líder facilitador, coaching, BP ou consultor de processos de desenvolvimento. Até pode ser um consultor competente, mas com certeza não estará fazendo o que gosta ou então não estará indo além do conteúdo intelectual das situações que lhe apresentam.

Ir Além do Conteúdo

Esse amor nos dá forças para poder ir além do conteúdo do projeto ou relacionamento consultor-cliente. Ele permite desenvolver a sensibilidade para perceber os sentimentos que fluem ao redor de um processo de mudança por exemplo. Quase todos nós temos uma grande experiência em trabalhar com aspectos cognitivos ou com o conteúdo de uma discussão. Quando vamos para uma reunião com o cliente, vamos na “ponta dos cascos”, para falarmos sobre os problemas que achamos que dominamos. Deveria haver um equilíbrio igual na atenção que damos ao conteúdo do problema do cliente e aos sentimentos que temos sobre a interação que está ocorrendo enquanto falamos com o cliente. Quem aprende a valorizar o lado do sentir como uma área importante do trabalho de consultoria, pode se considerar como identificado com a carreira que escolheu.

Ser Autêntico

Ser autêntico em consultoria é saber colocar em palavras sinceras, adequadas
tudo aquilo que você está vivenciando com o cliente na interações realizadas.. Esse é o ponto mais eficaz para que você tenha credibilidade e influência junto ao cliente interno ou externo.

Para encerrar gosto muito do tripé a seguir que coloca no centro da vocação do Business Partner ou do Consultor de Desenvolvimento de Indivíduos , Grupos e Organizações, as três forças sutis que a condicionam ou seja: a coragem, a esperança e a realidade:

Esse tripé também ajudar nas respostas as perguntas que abriram este artigo. Se lembra delas ?

Por Jair Moggi 

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