Artigo de Jair Moggi para www.vyaestelar.com.br
Qual a vantagem do modelo celular na gestão empresarial?
Em minha experiência como consultor organizacional noto que quando as empresas trabalham com base nos princípios do modelo de gestão celular elas metamorfoseiam e incorporam na cultura empresariais qualidades e características típicas de um ser vivo, respondendo com agilidade e flexibilidade às necessidades do mundo externo, usando a intuição com a razão nas decisões e enfrentando as dificuldades de forma criativa.
Isto acontece porque o modelo celular possibilita condições de sobrevivência e crescimento em um ambiente de competitividade acelerada, à semelhança dos seres vivos que fazem isso ao longo de todo o seu processo evolutivo.
Uma das vantagens também é criar condições para que o modelo de gestão da empresa sofra uma brutal transformação saindo do paradigma de: primeiro planejar, depois executar e na seqüência controlar, criando condições para que estas ações sejam realizadas simultaneamente, essa é uma característica intrínseca de todo organismo vivo, resultando daí em saltos quânticos e não apenas melhoria adicionais, em termos de resultados quantitativos para os negócios e qualitativos para o processo de desenvolvimento individual e coletivo em todos os níveis da organização.
Outra vantagem é que ao atuar a partir de modelos orgânicos há a recuperação ou revitalização dos ambientes de trabalho tornando-os mais humanos e motivadores contribuindo para a redução do estresse e potencializando a aplicação de todos os recursos utilizados nos processos produtivos.
Ainda para as pessoas, o modelo celular cria condições e oportunidades concretas para o real aprendizado existencial individual e organizacional, revelando novos talentos, novas habilidades, agregando novas competências para a organização.
Por quê comparar a célula humana com os sistemas de gestão empresarial e com a maneira dos membros das equipes trabalharem?
Os seres vivos se caracterizam, entre outros aspectos, por apresentar processos vitais simultâneos para que seus objetivos possam ser atingidos. Desde que nasce até a sua morte, o ser vivo está em um constante processo de transformação, sem perder a sua identidade básica mantendo o objetivo de sobreviver, crescer, reproduzir e se perpetuar. É por essa razão que os seres vivos passam a ser, cada vez mais, um paradigma para modelos de gestão, pois é fácil verificar que nos seres vivos algumas qualidades predominantes, jamais estarão presentes em modelos organizacionais baseados em princípios de rigidez que negam a vida, como a hierarquia tradicional ou os modelos mecanicistas de gestão.
Entre as principais características do ser vivo que se aplicam à empresa orgânica destacamos a flexibilidade e a capacidade de regeneração. Além disso, o ser vivo reage rapidamente aos impulsos externos, aprende e desenvolve a seu nível de consciência, adapta-se rapidamente ao meio, é interdependente, está sempre conectado com outros organismos externos.
Apesar de ser composto por órgãos complexos (nos animais superiores há coração, pulmão etc), o ser vivo organiza-se a partir dos sistemas simples para os mais complexos, formando teias sutis e sensíveis numa verdadeira simbiose ou espírito de parceria.
Em determinado nível de complexidade do organismo, certos componentes celulares são polivalentes, como os neurônios, que são capazes de assumir funções de outros neurônios.
Recebendo impulsos do exterior, o ser vivo é dependente do seu meio ecológico, nutrindo-se nele ou dele. Sua ligação com o meio vai além, pois recebe e procura estímulos e recursos, processando e devolvendo contribuições ao ambiente que poderão criar e suprir carências de organismos externos maiores ou menores. É orientado por forte instinto de sobrevivência, mantém funções vitais básicas como alimentação, digestão, reprodução, respiração e movimentação. Reproduz-se, evolui e se perpetua, aprimorando e mantendo a ligação com o modelo original.
Esse modelo de gestão pressupõe, como condição básica que as pessoas, sejam respeitadas, amplamente envolvidas e informadas nas questões e ações de suas áreas de atuação, de forma rítmica e organizada.
O incentivo ao contato face a face faz com que a empresa saia do paradigma da mera informação para a comunicação verdadeiramente humana. Esta medida propicia um clima de mais confiança e alinhamento entre as pessoas e grupos.
Assim como nos demais organismos vivos, as células empresariais têm no mesmo DNA os gens que orientam as pessoas e os grupos em direção à “chama sagrada da empresa”, à razão da sua existência, à sua Missão, mesmo que cada uma pertença a um sistema organizacional diferente.
Analisando estas características parece ser natural intuir que grande parte delas são características que as organizações do futuro estarão procurando desenvolver e incorporar como cultura organizacional, pois todas atendem às demandas dos novos tempos do mundo dos negócios.
É primordial que os primeiros níveis de comando: acionistas, presidente e diretores se convençam e queiram transformar a empresa de forma genuína. Para tanto é necessário aprender a trabalhar com conceitos de natureza orgânica, cujas proto-imagens arquetípicas induzem e permite uma nova forma de PENSAR a organização, não como uma estrutura com caixinhas hierarquizadas e funções bem definidas, como uma máquina ou um mecanismo, mas sim como um organismo complexo, vivo, fluído e pulsante, mobilizado pelo mistério da vida.
O modelo celular consegue suprir a necessidade do fomento da criatividade que se tem hoje?
Alguém já disse que “a empresa são as pessoas, o resto são prédios, máquinas, sistemas, processos que apodrecem e se desatualizam constantemente”. No momento em que essa verdade é assumida, muda-se completamente a abordagem ao tratar os problemas de uma organização e o fenômeno da relação empresa-pessoas, já que não se lida mais com um organismo frio, rígido, apático, distante da realidade e das pessoas, características essas, que são as maiores assassinas da criatividade individual e coletiva no mundo empresarial.
A Gestão Viva vê o ser humano como uma entidade integrada com os reinos mineral, vegetal, animal e com o próprio cosmos. Um dos pressupostos é que as organizações, formadas basicamente por indivíduos, são também entidades vivas, com pensamentos, sentimentos e vontade – e, como as pessoas, têm possibilidade de crescer, desenvolver-se e realizar seus potenciais de forma criativa.
Nessa visão, as empresas são entidades coletivas formadas por indivíduos que têm em relação a essas entidades coletivas que as abriga uma relação ontológica ou existencial muito forte, pois, os indivíduos são co-criadores dessas entidades maiores, portanto têm entre si, uma relação biunívoca de dependência semiótica, e o fomento da criatividade individual e grupal são conseqüência imediata da assunção de uma Gestão Viva.
Algumas profissões, cargos e funções já desapareceram, outras estão sendo reinventadas e outras, ainda, surgirão. Como agir no mercado hoje? O modelo celular facilita essa perspectiva e a adaptação aos novos tempos?
No Brasil, estatísticas do ministério do trabalho já indicam que entre dez brasileiros com curso superior, sete não exercem atividades ligadas as funções para as quais se prepararam. O mesmo fenômeno, com maior ênfase acontece nas profissões não especializadas em toda cadeia de produção. Isso por si só, mostra a magnitude do fenômeno levantado pela pergunta.
Um dos princípios do modelo celular é à busca da polivalência das pessoas que compõem uma célula de trabalho. Isso implica em dizer que a empresa deve criar cultura e condições para que as pessoas se especializem sim, na sua competência básica sem fazer disso a razão de carreira para uma vida toda, como era no passado.
Já foi o tempo que as pessoas ficavam fazendo cursos de especialização ao longo da vida para no final perceberem que passaram a vida “sabendo sempre mais do mesmo e de um mesmo que não tem mais lugar no mundo”. Os novos tempos exigem pessoas que alem de terem uma sólida formação em vertentes do conhecimento clássico de natureza técnica ou humana, que elas tenham simultaneamente um profundo compromisso com o conhecimento generalista que as habilita a navegar em diversos campos do conhecimento e principalmente, novos palcos profissionais.
Outra recomendação é que as pessoas, após terem uma especialização básica que procurem mais e mais desenvolverem conhecimentos e habilidades de natureza diversa nas frentes artística ou holística.
Isso com certeza prepara as pessoas para fazer aquilo que ainda não existe ou no mínimo as prepara criando repertórios e referenciais que estimulam a criatividade e facilitam a transição para realidades pessoais e profissionais que ainda nem imaginamos como serão.
Como fica o papel da Liderança nesse contexto?
Em relação aos cargos de liderança é importante enfatizar que o papel do líder mudará completamente exigindo deles novos atributos do tipo: auto desenvolvimento e auto-avaliação honesta e permanente, a necessidade de ficar consigo mesmo num processo meditativo que pode cria condições para o surgimento de novas características de liderança como: ver o invisível e ouvir o inaudível, inspirar pelo exemplo, manter a tranqüilidade no olho do furacão, tirar tendências de situações caóticas e paradoxais saber equilibrar os aspectos quantitativos e qualitativos de uma ação empresarial, agir com genuíno interesse pelas pessoas e por tudo que é vivo, e ter foco em resultados no limite do humano possível.

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